sexta-feira, 27 de abril de 2012

A RADIOGRAFIA DOS PROGRAMAS DA TV COMERCIAL ABERTA...


Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV, em carta aberta:


“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

”O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.



”Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?"

TV POR ASSINATURA CRESCE 7,31% NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2012

Setor registrou acréscimo de 931.4 mil novas assinaturas em 2012.

Com 355,9 mil adições líquidas em março de 2012, o Brasil fechou o primeiro trimestre com 13,7 milhões de domicílios com TV por Assinatura. O crescimento registrado em relação a fevereiro foi de 2,67% e de 31,2% em relação a março de 2011. Foram quase 3,3 milhões de novas assinaturas em 12 meses. Considerando-se o número médio 3,3 de pessoas por domicílio divulgado pelo IBGE1, os Serviços de TV por Assinatura são distribuídos, atualmente, para 45,13 milhões de brasileiros.
Crescimento da TV por Assinatura
AnoTotal de assinaturas Novos assinantes (janeiro a dezembro) Crescimento Anual
(%)
Crescimento absoluto
no mês de março
Crescimento percentual
no mês de março
20075.348.571765.44616,70%68.5981,47%
20086.320.852972.28118,18%90.8651,68%
20097.473.4761.152.62418,24%89.7171,39%
20109.768.9932.295.51730,72%194.1372,51%
201112.744.0252.975.03230,45%242.6802,38%
201213.675.407--355.8972,67%

Tecnologia

Os Serviços de TV por Assinatura são prestados utilizando-se de diferentes tecnologias: por meios físicos confinados (Serviço de TV a Cabo - TVC), mediante utilização do espectro radioelétrico em micro-ondas (Serviço de Distribuição de Sinais Multiponto Multicanal - MMDS) e na faixa de UHF (Serviço Especial de Televisão por Assinatura - TVA), e ainda por satélite (Serviço de Distribuição de Sinais de Televisão e de Áudio por Assinatura Via Satélite - DTH).
A participação dos serviços prestados via satélite (DTH) atingiu 56,6% da base e a dos serviços a cabo alcançou 41,8% dos assinantes. Em março de 2011, os serviços DTH representavam 48,2% do mercado nacional e os serviços prestados via cabo possuíam 49% de market share.
Em março de 2012, o DTH, com a adição de 286,3 mil assinantes, cresceu 3,8%. O universo de assinantes que recebem os serviços via TV a cabo registrou acréscimo de 78,2 mil novas assinaturas - crescimento de 1,4% em março. As prestadoras de MMDS, por sua vez, perderam 8,6 mil assinantes no mesmo período, o que representou queda de 3,8% de sua base.2
Crescimento percentual por tecnologia (fevereiro e março de 2012)

Assinaturas por tecnologia
TecnologiaQuarto trimestre (2010) Primeiro trimestre (2011) Segundo trimestre (2011) Terceiro trimestre (2011) Quarto trimestre (2011) Primeiro trimestre (2012) Variação
Quarto trimestre (2011)/Primeiro trimestre (2012)
MMDS312.525 293.376 275.587 258.180 240.562 217.729 -22.833
TVC4.980.154 5.101.515 5.212.528 5.360.286 5.518.127 5.714.957 196.830
DTH4.475.770 5.023.395 5.619.386 6.269.634 6.984.810 7.738.880 754.070
TVA544 543 518 527 526 3.841 3.315
Total9.768.993 10.418.829 11.108.019 11.888.627 12.744.025 13.675.407 931.382

A variação na base do serviço TVA é resutado da alteração na metodologia de contabilização das assinaturas por parte de algumas prestadoras. Anteriormente, as prestadoras informavam o número de edifícios assinantes do serviço. Agora, cada unidade é considerada como um assinante.

Regiões e unidades da federação

Enquanto as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste apresentaram índices de crescimento acima da média nacional, as regiões Sul e Sudeste registraram crescimento inferior. Entretanto, das 3,3 milhões de novas assinaturas registradas nos últimos 12 meses, quase 2,4 milhões ocorreram nas regiões Sul e Sudeste.
Número de assinaturas por região (março de 2011 e março de 2012)
RegiãoMarço (2011) Março (2012)Crescimento (%) Variação
Nordeste1.073.811 1.560.91145,4%487.100
Norte375.045 561.41849,7%186.373
Centro-Oeste626.918 859.12037,0%232.202
Sudeste6.792.174 8.738.457 28,7% 1.946.283
Sul1.550.8811.955.50926,1%404.628
Brasil10.418.829 13.675.407 31,2% 3.256.586


Com relação aos serviços ofertados por unidade da federação em março de 2012, destaca-se o estado de São Paulo, com quase 5,5 milhões de assinaturas.
<><>
Número de assinaturas por unidade da federação (março de 20011 e março de 2012)
Unidade da Federação Março (2011) Março (2012) Crescimento (%) Variação
Piauí31.07655.04577,13%23.969
Pará110.123184.55367,59%74.430
Tocantins16.85727.60463,75%10.747
Mato Grosso74.763120.86561,66%46.102
Pernambuco158.308250.19058,04%91.882
Acre13.59820.878 53,54%7.280
Rondônia34.99953.045 51,56%18.046
Bahia316.742478.774 51,16%162.032
Mato Grosso do Sul87.521126.64244,70%39.121
Rio Grande do Norte105.819151.190 42,88%45.371
Ceará175.481247.671 41,14%72.190
Roraima16.87123.728 40,64%6.857
Amazonas158.432220.372 39,10%61.940
Paraíba78.268108.626 38,79%30.358
Sergipe47.23565.425 38,51%18.190
Goiás199.297269.676 35,31%70.379
Espírito Santo141.021190.632 35,18%49.611
Maranhão87.079114.635 31,64%27.556
São Paulo4.211.2645.474.367 29,99%1.263.103
Amapá24.16531.238 29,27%7.073
Distrito Federal265.337341.937 28,87%76.600
Rio de Janeiro1.529.9511.958.582 28,02%428.631
Santa Catarina374.020477.883 27,77%103.863
Rio Grande do Sul696.718875.887 25,72%179.169
Paraná480.143601.731 25,32%121.588
Minas Gerais909.9381.114.876 22,52%204.938
Alagoas73.803 89.355 21,07%15.552

Destaca-se que na distribuição das assinaturas por Região, quando comparados os números de março de 2011 com aqueles de março de 2012, nota-se a maior participação das Regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, na relação percentual do total de assinaturas.
<><>

Penetração dos Serviços de TV por Assinatura

Em março de 2012, os serviços de TV por Assinatura estavam presentes em 23,1% dos domicílios no país, de acordo com estimativas da Agência3. Apesar do crescimento observado nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, a região Sudeste ainda lidera esse indicador, com a presença desses serviços em 33,7% dos domicílios.
Densidade por Região (assinaturas por 100 domicílios)
Entre as unidades da federação, destacam-se o Distrito Federal e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por terem registrado desempenho acima da média nacional, quanto à densidade dos serviços de TV por Assinatura.
Densidade por Unidade da Federação (assinaturas por 100 domicílios)
Densidade dos Serviços de TV por Assinatura por unidade da federação
Unidade da
Federação
Março (2011) Março (2012) Crescimento
percentual
Acre 7,2 10,9 51,39%
Alagoas 8,2 10,1 23,17%
Amapá 15,4 20 29,87%
Amazonas 17,9 26,5 48,04%
Bahia 7,2 10,8 50,00%
Ceará 7,3 10,1 38,36%
Distrito Federal 33,3 42,2 26,73%
Espírito Santo 12,8 17,2 34,38%
Goiás 10,5 14,1 34,29%
Maranhão 5 6,9 38,00%
Mato Grosso 7,7 12,6 63,64%
Mato Grosso do Sul 11,5 16,5 43,48%
Minas Gerais 14,3 17,4 21,68%
Pará 5,5 9,8 78,18%
Paraíba 7,1 9,8 38,03%
Paraná 13,7 17,6 28,47%
Pernambuco 6 9,5 58,33%
Piauí 3,5 6,2 77,14%
Rio de Janeiro 27,8 36,6 31,65%
Rio Grande do Norte 11,4 16,2 42,11%
Rio Grande do Sul 19 23,8 25,26%
Rondônia 7,7 11,6 50,65%
Roraima 13,7 20,5 49,64%
Santa Catarina 18,5 23,5 27,03%
São Paulo 31,4 41,9 33,44%
Sergipe 7,7 10,9 41,56%
Tocantins 4,3 7,2 67,44%
Brasil 17,4 23,1 32,76%

Competição

Confira a seguir o percentual de mercado dos principais grupos econômicos prestadores dos serviços de TV por Assinatura.
Competição no mercado de TV por Assinatura (número de assinantes)
Grupo econômico 2009201020112012 (primeiro trimestre )
NET + Embratel 3.898.359 5.338.151 6.997.382 7.452.659
SKY/Directv 1.969.108 2.552.039 3.796.614 4.138.215
Telefônica + Abril 653.102 652.034 707.394 691.785
Oi 47.819 402.062 351.183 395.574
ViaCabo 69.805 84.075 96.646 99.338
Algar 32.971 81.229 93.984 98.152
GVT 0 0 32.136 127.218
Subtotal: 6.871.164 9.109.590 12.075.339 13.002.941
Demais Grupos 602.312 659.403 668.686 672.466
Total Geral: 7.473.476 9.768.993 12.744.025 13.675.407

A consolidação dos números mensais dos serviços de TV por Assinatura está disponível no portal da Anatel, na visão "Informações Técnicas", item "TV por Assinatura", "Consolidação dos Serviços de TV por Assinatura no Brasil". O "Panorama dos Serviços de TV por Assinatura" - com a relação de prestadoras, áreas de prestação e municípios cobertos - também está disponível no mesmo caminho e é atualizado trimestralmente.

Mapa de TV por Assinatura

Em complemento às informações setoriais de TV por Assinatura divulgadas mensalmente, a Anatel disponibiliza na internet o Mapa de TV por Assinatura, uma ferramenta do Sistema de Acompanhamento das Obrigações das Prestadoras de TV por Assinatura (SATVA). Para acessar o Mapa, basta navegar pelo portal da Anatel, dentro da aba "Informações Técnicas", "TV por Assinatura", "Mapa de TV por Assinatura".
1 O número médio de 3,3 pessoas por domicílio no Brasil foi informado pelo IBGE na Síntese de Indicadores Sociais - 2010, tabela 3.1, disponível no seguinte endereço:http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2010/SIS_2010.pdf
2 Na presente consolidação não foi considerado o Serviço Especial de Televisão por Assinatura (TVA).
3 O indicador "Densidade dos serviços de TV por Assinatura" é a relação percentual entre o número de assinaturas e o número de domicílios estimado a partir dos dados publicados pelo IBGE, em sua Síntese de Indicadores Sociais.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

PENETRAÇÃO DE TV PAGA NA CLASSE C IGUALARÁ A DA AB EM 13 ANOS



A penetração de TV por assinatura na classe C deve ser igual à das classes AB em 13 anos. A projeção é do Instituto Data Popular, e foi apresentada por Renato Meirelles durante o Encontro da NeoTV, em São Paulo.

Segundo Meirelles, a penetração da TV por assinatura na classe C atualmente é de 24%, enquanto nas classes AB é de 63,74%. 

Dentro de 13 anos, o aumento da penetração na classe C deve adicionar 12,8 milhões de novos domicílios assinantes.

As estimativas são baseadas em fatores como otimismo, consumo e pretensão de fazer uma assinatura. 

Segundo dados do Data Popular, 13% da classe C pretende ter TV por assinatura nos próximos 12 meses.

Outro dado interessante mostrado por Meirelles é o de que 14,1 milhões de domicílios declararam ter TV por assinatura, número quase 3 milhões a mais do que os números oficiais. 

Pode ser um indicativo de operações não-oficiais (GATONET) ou pessoas que não sabem a diferença entre TV por assinatura e TV aberta.

MERCADO DE TV POR ASSINATURA VISA CLASSE C COMO PRINCIPAL CONSUMIDORA DE 2012


A TV paga encerrou o ano de 2011 com cerca de 12 milhões de assinantes no Brasil, e destes, cerca de 34% da classe C. Entre as classes sociais que consomem TV paga, foi na classe C que o serviço mais cresceu.

De acordo com pesquisa da Ipsos, o combo de tv, internet e telefone é o pacote preferido de 41% dos novos consumidores que buscam variedades de canais e melhor qualidade de som. Em São paulo o estudo demonstra 38% dos assinantes na classe C contra 16% na classe A.

Isso explica a busca dos canais pagos em agradar esse público gerando mais canais nacionais e dublados.

Para se aproximarem da classe C, os canais pagos fazem estudos para mudarem de título no Brasil. O canal Discovery já perdeu o "Channel", o Discovery Home & Health vai perder o "Discovery" e o Discovery Travel & Living mudou para TLC (Travel & Living Channel).

Com informações da ABTA.

terça-feira, 24 de abril de 2012

TV INTERATIVA E INTERNET: POSSIBILIDADES E DESAFIOS



A televisão interativa é promessa parcialmente cumprida pelo Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), uma vez que, para atingir níveis satisfatórios de interatividade, o telespectador necessita de condições específicas e dispendiosas, que incluem, no mínimo, banda larga de alta velocidade e conexão entre o seu aparelho televisor e a internet. O que ocorreu efetivamente, desde a digitalização da televisão, foi uma a melhoria na qualidade do áudio e imagem, além da possibilidade de captação de sinal em mídias digitais móveis. Neste sentido, toda expectativa em torno do lançamento comercial do SBTVD, em 2007, transformou-se em frustração, especialmente para o consumidor interessado em estabelecer um canal direto com as emissoras, interagindo e participando, ainda que de modo bastante restrito.

O problema atual se agrava porque, mesmo os televisores que contam com o Ginga, middleware responsável pela mediação entre os aplicativos que são enviados pelas emissoras e o sistema operacional do SBTVD, possuem condições de interatividade insignificantes. Em uma telenovela, por exemplo, os recursos se limitam ao resumo de capítulos, perfil dos personagens, imagens de alguns atores e, quando muito, enquetes com respostas pré-estabelecidas. Um segundo obstáculo é que, até o presente momento, a interatividade na TV aberta não está disponível em todos os estados brasileiros. São Paulo e Rio de Janeiro estão mais bem atendidos, mas em mercados também importantes, como o do Rio Grande do Sul, apenas a Globo oferece o serviço, através de sua afiliada RBSTV.

Na prática, os programas que oferecem interatividade contam um indicador, convidando o telespectador a acessar o conteúdo disponibilizado. Trata-se de um logotipo com animação discreta, cuja aparição geralmente ocorre na parte superior direita da tela do televisor. Quando acessado, inicia-se a exibição do aplicativo oferecido pela emissora naquele momento. Ainda é cedo para antecipar qual será o modelo definitivo da televisão interativa, mas pode-se observar que as experimentações atuais apontam para a diversidade de aplicativos, que, apesar da escassez do conteúdo, são funcionais e esteticamente atrativos. Os aplicativos da Globo e da Record, por exemplo, são vinculados aos conteúdos exibidos na TV. Nesse modelo de interatividade, cada programa possui sua aplicação interativa específica. O modelo do SBT, chamado Portal de Interatividade, diferencia-se dos demais, oferecendo uma interface semelhante aos websites. O serviço está disponível durante as 24 horas do dia e proporcionando acesso aos destaques da programação, informações, enquetes e promoções. Ainda, possui uma seção de notícias, atualizada independentemente do que está sendo veiculado na TV.

Desde o acelerado desenvolvimento da internet, o mercado televisivo passou a identificar a necessidade de reestruturar seu tradicional modelo de negócio. O inverso também ocorre, e as mídias digitais têm avançado consideravelmente nesse sentido. O site de compartilhamento YouTube, das Google Inc., por exemplo, passou a incorporar publicidade nos audiovisuais que disponibiliza. Diferentemente de seu passado recente, quando seus anunciantes eram escassos, agora oferece espaços dinâmicos diversos, tanto em sua página inicial como no rodapé dos audiovisuais, quando estão em exibição. Ainda, tem firmado parcerias com gravadoras, clubes de futebol e produtoras de cinema a fim de transmitir apresentações, eventos esportivos e longas-metragens em alta definição. Ainda pouco explorada pela televisão interativa, a cultura participativa que garante o sucesso ao YouTube organiza seus conteúdos em catálogo (possíveis de serem acessados a qualquer instante), promove promoções entre os usuários que fornecem conteúdo, atraindo novos participantes e novas audiências.

Nesse sentido, conclui-se que a personalização seria uma das possibilidades de a tradicional televisão se reinventar, mantendo-se atrativa aos usuários mais exigentes. O YouTube muito tem a ensinar para a indústria televisiva e seus novos negócios. A viabilidade está no melhor desenvolvimento e popularização de tecnologias já existentes, como o Internet Protocol Television – IPTV, onde todo conteúdo é transmitido via rede telefônica, permitindo tráfego de dados, voz e vídeo. O sistema opera apenas em streaming, porém com a garantia de uma imagem de alta qualidade. Trata-se de uma reestruturação capaz de transformar o telespectador em usuário ativo, oferecendo-lhe, via rede, conteúdos em fluxo pré-estabelecido, como atualmente ocorre, mas que também estariam disponíveis para consumo a qualquer momento. A publicidade direcionada ao gosto do consumidor é outra opção para aquecer o comércio local, o que não quer dizer uma supervalorização dos produtos regionais, mas sim oferecer serviços próximos, como acoplado ao anúncio de um chocolate o endereço do comércio mais próximo onde o usuário poderá degustá-lo.

O longo caminho que a TV digital ainda vai percorrer deve delinear não somente os rumos da interatividade, mas também do potencial publicitário desse modelo de negócio. Aplicativos internos disponibilizados nos próprios televisores também já estão disponíveis. Oferecem basicamente conteúdos da internet (especialmente do YouTube), com qualidade de imagem que muito deixa a desejar. Para o telespectador, permanece a frustração e a certeza de que, para o serviço vingar, a televisão interativa ainda precisa oferecer muito mais.

Artigo de Andres Kalikoske e Naiá Giúdice

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PLURITV, A TELEVISÃO EM TODO O LUGAR, A TODA A HORA



O fim da televisão já foi previsto inúmeras vezes, assim como ela já foi responsabilizada por todos ou pelo menos a maioria dos males do mundo. Também já foi considerada agente central de um setor econômico pouco importante, em detrimento de sua força ideológica: e não foi por outro motivo que, na Europa, a TV desenvolveu-se sob a gestão direta do Estado. No entanto, a televisão está mais viva do que nunca, com força econômica, política e sócio-cultural, em grande parte pela própria multiplicação de janelas que a inovação tecnológica proporciona a esta que ainda é a mais relevante mídia mundial.

A TV está potencializada, pelas múltiplas formas de acesso a seus conteúdos, a partir do avanço tecnológico. A televisão é a popularíssima aberta (hertziana), a conhecida por assinatura tradicional (cabo, satélite e microondas) e a pouco difundida IPTV. Mas hoje vai muito além disso. É igualmente aquela disponível fora do televisor clássico, em monitores de computador, via internet, em aparelhos de telefonia celular (com oferta de emissoras abertas e das operadoras de telecomunicações) e em dispositivos colocados em estabelecimentos comerciais, condomínios e meios de transporte, como ônibus, trem e avião.

Se os sistemas de distribuição mudam, o mesmo ocorre com os modelos de programação, cada vez mais o usuário podendo escolher dentre muitos programas e assisti-los na hora que melhor lhe convier, princípio em que os sítios de disponibilização de vídeo na internet são o paradigma. Os conteúdos televisivos encontram múltiplos espaços e tendem a acompanhar o receptor, onde ele esteja. Assim, há um deslocamento, de maneira que a TV não reina mais sozinha, como principal objeto da casa, com destaque nas salas e aglutinando todos em torno de um único programa. Seu consumo segmenta-se e tende à individualização.

Marco regulatório a ser construído

Essa televisão multiplicada, que acompanha o consumidor onde ele está, é o que o se está denominando de PluriTV. Está baseada na força da imagem na contemporaneidade, em especial em movimento, viabilizada por um conjunto de inovações que permitem múltiplos espaços de veiculação do audiovisual e pelas mudanças no plano comportamental, pelas quais os sujeitos demandam lazer e informação crescentemente. Isso deve ser visto como uma ampliação das possibilidades de negócios na área, independentemente do esgotamento da forma clássica de veiculação publicitária televisiva, o que não é algo novo.

É a TV da convergência, que é radiodifusão e, simultaneamente, telecomunicações. Acima de tudo, é comunicação e é nesse sentido que deve ser considerada, em um novo marco regulatório a ser construído. De um lado, há que se atacar a altíssima concentração da televisão aberta, que prejudica tanto a expressão da diversidade que constitui a sociedade brasileira quanto a entrada de novos capitais. De outro, é necessário dar conta dessa multiplicidade de janelas do audiovisual, em que, num ambiente de convergência, as plataformas se cruzam, inviabilizando regulações que abordem cada meio separadamente.

***

[Valério Cruz Brittos é professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e vice-presidente da Unión Latina de Economía Política de la Información, la Comunicación y la Cultura (ULEPICC-Federación)]

TV TRANSMITIDA POR SINAL DE INTERNET É APOSTA DA OI PARA CONQUISTAR CLIENTES TELESPECTADOR QUE VAI PODER NAVEGAR NA INTERNET ENQUANTO ASSISTE A UM FILME



Entre os novos produtos que a Oi vai lançar, ainda este ano, a IPTV – nova forma de transmissão de sinal televisivo através do protocolo de internet (IP, na sigla em inglês) – é o considerada um diferencial pelo presidente da empresa, Francisco Valim, para as vendas nos próximos anos. Durante a apresentação do plano de negócios da Oi até 2015, no qual a empresa vai fazer investimentos de R$ 24 bilhões, foi feita uma demonstração das possibilidades que a IPTV vai oferecer, como a possibilidade de navegar na internet ao mesmo tempo em que se assiste à programação da TV, ou escolher a câmera que se quer acompanhar durante a transmissão de uma partida de futebol.

“As pessoas vão poder acessar as redes sociais, como o Facebook, sem parar de assistir a um filme”, ressalta Pedro Ripper, diretor de Inovação e Novos Negócios da Oi. Segundo ele, a tecnologia IPTV é muito mais rápida do que as televisões a cabo de hoje. “Você leva um décimo de segundo para mudar de canal”, conta ele. “E você vai poder assistir à IPTV onde e quando quiser: na TV, no tablet, no laptop, no PC ou no celular”, acrescenta.

Ripper também falou com entusiasmo sobre a possibilidade de alugar filmes, a hora que se desejar, através da IPTV. “É o conceito de videoclube na televisão”, destacou ele. Outro recurso é o de poder recuperar o programa que se perdeu, bastando para isso voltar a programação até o ponto em que se deseja. “Se eu perdi o Jornal Nacional, basta retornar até o ponto em que se deseja, sem necessariamente ter lembrado de gravar o programa”, explica ele.

“O pacote contendo a IPTV vai ter preço igual ou menor do que os pacotes de TV assinatura, em geral, que são oferecidos hoje”, garantiu Ripper, sem, no entanto, revelar valores. “Vamos começar pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte, no quarto trimestre de 2012. São dois mercados muito atraentes em termos de retorno”, disse Valim. Segundo o presidente da Oi, São Paulo ainda não vai contar com a IPTV porque a Oi ainda não temos estrutura suficiente na cidade.

Conteudos de vídeo na internet podem ser vistos na IPTV
Hoje, a Oi vende quase 40 mil planos de TV por assinatura, por mês. O marco regulatório estabelecido pela lei federal 12.185, que permitiu que operadoras pudessem entrar ou aumentar as atividades de TV a cabo, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento da Oi no setor, segundo Francisco Valim. “E a IPTV é um produto no mínimo desafiador de não se comprar”, empolga-se o presidente da Oi.

“Tem uma revolução acontecendo no mundo de internet, o ‘over the top’. A gente traz todos os conteúdos disponíveis de vídeo na internet para a TV”, conclui Ripper, sobre a IPTV.

CÂMARA E SENADO ASSINARAM ACORDO PARA IMPLANTAÇÃO DA REDE LEGISLATIVA DE TV DIGITAL



Marco Maia, presidente da Câmara, e José Sarney, presidente do Senado, assinaram um acordo para que seja implantada a Rede Legislativa de TV Digital. O sinal digital da rede será aberto e gratuito e irá compartilhar as programações da TV Câmara, da TV Senado e das emissoras de assembleias legislativas e de câmaras municipais. 


O objetivo dessa parceria é a redução dos custos dos projetos de expansão das emissoras do Senado e da Câmara. Pelo acordo ficou estabelecido que, onde uma emissora instalar estação de transmissão de TV digital, cederá à outra uma faixa de programação.

Até 2013 as duas emissoras irão instalar estações em 11 capitais do país cada uma. A TV Câmara instalará estações em São Paulo (já em operação), Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Cuiabá, Vitória, Palmas, Goiânia e Recife. Por sua vez, a TV Senado colocará estações em Belém, São Luís, João Pessoa, Maceió, Campo Grande, Rio de Janeiro, Curitiba, Macapá, Manaus, Boa Vista e Teresina.