terça-feira, 24 de abril de 2012

TV INTERATIVA E INTERNET: POSSIBILIDADES E DESAFIOS



A televisão interativa é promessa parcialmente cumprida pelo Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), uma vez que, para atingir níveis satisfatórios de interatividade, o telespectador necessita de condições específicas e dispendiosas, que incluem, no mínimo, banda larga de alta velocidade e conexão entre o seu aparelho televisor e a internet. O que ocorreu efetivamente, desde a digitalização da televisão, foi uma a melhoria na qualidade do áudio e imagem, além da possibilidade de captação de sinal em mídias digitais móveis. Neste sentido, toda expectativa em torno do lançamento comercial do SBTVD, em 2007, transformou-se em frustração, especialmente para o consumidor interessado em estabelecer um canal direto com as emissoras, interagindo e participando, ainda que de modo bastante restrito.

O problema atual se agrava porque, mesmo os televisores que contam com o Ginga, middleware responsável pela mediação entre os aplicativos que são enviados pelas emissoras e o sistema operacional do SBTVD, possuem condições de interatividade insignificantes. Em uma telenovela, por exemplo, os recursos se limitam ao resumo de capítulos, perfil dos personagens, imagens de alguns atores e, quando muito, enquetes com respostas pré-estabelecidas. Um segundo obstáculo é que, até o presente momento, a interatividade na TV aberta não está disponível em todos os estados brasileiros. São Paulo e Rio de Janeiro estão mais bem atendidos, mas em mercados também importantes, como o do Rio Grande do Sul, apenas a Globo oferece o serviço, através de sua afiliada RBSTV.

Na prática, os programas que oferecem interatividade contam um indicador, convidando o telespectador a acessar o conteúdo disponibilizado. Trata-se de um logotipo com animação discreta, cuja aparição geralmente ocorre na parte superior direita da tela do televisor. Quando acessado, inicia-se a exibição do aplicativo oferecido pela emissora naquele momento. Ainda é cedo para antecipar qual será o modelo definitivo da televisão interativa, mas pode-se observar que as experimentações atuais apontam para a diversidade de aplicativos, que, apesar da escassez do conteúdo, são funcionais e esteticamente atrativos. Os aplicativos da Globo e da Record, por exemplo, são vinculados aos conteúdos exibidos na TV. Nesse modelo de interatividade, cada programa possui sua aplicação interativa específica. O modelo do SBT, chamado Portal de Interatividade, diferencia-se dos demais, oferecendo uma interface semelhante aos websites. O serviço está disponível durante as 24 horas do dia e proporcionando acesso aos destaques da programação, informações, enquetes e promoções. Ainda, possui uma seção de notícias, atualizada independentemente do que está sendo veiculado na TV.

Desde o acelerado desenvolvimento da internet, o mercado televisivo passou a identificar a necessidade de reestruturar seu tradicional modelo de negócio. O inverso também ocorre, e as mídias digitais têm avançado consideravelmente nesse sentido. O site de compartilhamento YouTube, das Google Inc., por exemplo, passou a incorporar publicidade nos audiovisuais que disponibiliza. Diferentemente de seu passado recente, quando seus anunciantes eram escassos, agora oferece espaços dinâmicos diversos, tanto em sua página inicial como no rodapé dos audiovisuais, quando estão em exibição. Ainda, tem firmado parcerias com gravadoras, clubes de futebol e produtoras de cinema a fim de transmitir apresentações, eventos esportivos e longas-metragens em alta definição. Ainda pouco explorada pela televisão interativa, a cultura participativa que garante o sucesso ao YouTube organiza seus conteúdos em catálogo (possíveis de serem acessados a qualquer instante), promove promoções entre os usuários que fornecem conteúdo, atraindo novos participantes e novas audiências.

Nesse sentido, conclui-se que a personalização seria uma das possibilidades de a tradicional televisão se reinventar, mantendo-se atrativa aos usuários mais exigentes. O YouTube muito tem a ensinar para a indústria televisiva e seus novos negócios. A viabilidade está no melhor desenvolvimento e popularização de tecnologias já existentes, como o Internet Protocol Television – IPTV, onde todo conteúdo é transmitido via rede telefônica, permitindo tráfego de dados, voz e vídeo. O sistema opera apenas em streaming, porém com a garantia de uma imagem de alta qualidade. Trata-se de uma reestruturação capaz de transformar o telespectador em usuário ativo, oferecendo-lhe, via rede, conteúdos em fluxo pré-estabelecido, como atualmente ocorre, mas que também estariam disponíveis para consumo a qualquer momento. A publicidade direcionada ao gosto do consumidor é outra opção para aquecer o comércio local, o que não quer dizer uma supervalorização dos produtos regionais, mas sim oferecer serviços próximos, como acoplado ao anúncio de um chocolate o endereço do comércio mais próximo onde o usuário poderá degustá-lo.

O longo caminho que a TV digital ainda vai percorrer deve delinear não somente os rumos da interatividade, mas também do potencial publicitário desse modelo de negócio. Aplicativos internos disponibilizados nos próprios televisores também já estão disponíveis. Oferecem basicamente conteúdos da internet (especialmente do YouTube), com qualidade de imagem que muito deixa a desejar. Para o telespectador, permanece a frustração e a certeza de que, para o serviço vingar, a televisão interativa ainda precisa oferecer muito mais.

Artigo de Andres Kalikoske e Naiá Giúdice

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PLURITV, A TELEVISÃO EM TODO O LUGAR, A TODA A HORA



O fim da televisão já foi previsto inúmeras vezes, assim como ela já foi responsabilizada por todos ou pelo menos a maioria dos males do mundo. Também já foi considerada agente central de um setor econômico pouco importante, em detrimento de sua força ideológica: e não foi por outro motivo que, na Europa, a TV desenvolveu-se sob a gestão direta do Estado. No entanto, a televisão está mais viva do que nunca, com força econômica, política e sócio-cultural, em grande parte pela própria multiplicação de janelas que a inovação tecnológica proporciona a esta que ainda é a mais relevante mídia mundial.

A TV está potencializada, pelas múltiplas formas de acesso a seus conteúdos, a partir do avanço tecnológico. A televisão é a popularíssima aberta (hertziana), a conhecida por assinatura tradicional (cabo, satélite e microondas) e a pouco difundida IPTV. Mas hoje vai muito além disso. É igualmente aquela disponível fora do televisor clássico, em monitores de computador, via internet, em aparelhos de telefonia celular (com oferta de emissoras abertas e das operadoras de telecomunicações) e em dispositivos colocados em estabelecimentos comerciais, condomínios e meios de transporte, como ônibus, trem e avião.

Se os sistemas de distribuição mudam, o mesmo ocorre com os modelos de programação, cada vez mais o usuário podendo escolher dentre muitos programas e assisti-los na hora que melhor lhe convier, princípio em que os sítios de disponibilização de vídeo na internet são o paradigma. Os conteúdos televisivos encontram múltiplos espaços e tendem a acompanhar o receptor, onde ele esteja. Assim, há um deslocamento, de maneira que a TV não reina mais sozinha, como principal objeto da casa, com destaque nas salas e aglutinando todos em torno de um único programa. Seu consumo segmenta-se e tende à individualização.

Marco regulatório a ser construído

Essa televisão multiplicada, que acompanha o consumidor onde ele está, é o que o se está denominando de PluriTV. Está baseada na força da imagem na contemporaneidade, em especial em movimento, viabilizada por um conjunto de inovações que permitem múltiplos espaços de veiculação do audiovisual e pelas mudanças no plano comportamental, pelas quais os sujeitos demandam lazer e informação crescentemente. Isso deve ser visto como uma ampliação das possibilidades de negócios na área, independentemente do esgotamento da forma clássica de veiculação publicitária televisiva, o que não é algo novo.

É a TV da convergência, que é radiodifusão e, simultaneamente, telecomunicações. Acima de tudo, é comunicação e é nesse sentido que deve ser considerada, em um novo marco regulatório a ser construído. De um lado, há que se atacar a altíssima concentração da televisão aberta, que prejudica tanto a expressão da diversidade que constitui a sociedade brasileira quanto a entrada de novos capitais. De outro, é necessário dar conta dessa multiplicidade de janelas do audiovisual, em que, num ambiente de convergência, as plataformas se cruzam, inviabilizando regulações que abordem cada meio separadamente.

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[Valério Cruz Brittos é professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e vice-presidente da Unión Latina de Economía Política de la Información, la Comunicación y la Cultura (ULEPICC-Federación)]

TV TRANSMITIDA POR SINAL DE INTERNET É APOSTA DA OI PARA CONQUISTAR CLIENTES TELESPECTADOR QUE VAI PODER NAVEGAR NA INTERNET ENQUANTO ASSISTE A UM FILME



Entre os novos produtos que a Oi vai lançar, ainda este ano, a IPTV – nova forma de transmissão de sinal televisivo através do protocolo de internet (IP, na sigla em inglês) – é o considerada um diferencial pelo presidente da empresa, Francisco Valim, para as vendas nos próximos anos. Durante a apresentação do plano de negócios da Oi até 2015, no qual a empresa vai fazer investimentos de R$ 24 bilhões, foi feita uma demonstração das possibilidades que a IPTV vai oferecer, como a possibilidade de navegar na internet ao mesmo tempo em que se assiste à programação da TV, ou escolher a câmera que se quer acompanhar durante a transmissão de uma partida de futebol.

“As pessoas vão poder acessar as redes sociais, como o Facebook, sem parar de assistir a um filme”, ressalta Pedro Ripper, diretor de Inovação e Novos Negócios da Oi. Segundo ele, a tecnologia IPTV é muito mais rápida do que as televisões a cabo de hoje. “Você leva um décimo de segundo para mudar de canal”, conta ele. “E você vai poder assistir à IPTV onde e quando quiser: na TV, no tablet, no laptop, no PC ou no celular”, acrescenta.

Ripper também falou com entusiasmo sobre a possibilidade de alugar filmes, a hora que se desejar, através da IPTV. “É o conceito de videoclube na televisão”, destacou ele. Outro recurso é o de poder recuperar o programa que se perdeu, bastando para isso voltar a programação até o ponto em que se deseja. “Se eu perdi o Jornal Nacional, basta retornar até o ponto em que se deseja, sem necessariamente ter lembrado de gravar o programa”, explica ele.

“O pacote contendo a IPTV vai ter preço igual ou menor do que os pacotes de TV assinatura, em geral, que são oferecidos hoje”, garantiu Ripper, sem, no entanto, revelar valores. “Vamos começar pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte, no quarto trimestre de 2012. São dois mercados muito atraentes em termos de retorno”, disse Valim. Segundo o presidente da Oi, São Paulo ainda não vai contar com a IPTV porque a Oi ainda não temos estrutura suficiente na cidade.

Conteudos de vídeo na internet podem ser vistos na IPTV
Hoje, a Oi vende quase 40 mil planos de TV por assinatura, por mês. O marco regulatório estabelecido pela lei federal 12.185, que permitiu que operadoras pudessem entrar ou aumentar as atividades de TV a cabo, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento da Oi no setor, segundo Francisco Valim. “E a IPTV é um produto no mínimo desafiador de não se comprar”, empolga-se o presidente da Oi.

“Tem uma revolução acontecendo no mundo de internet, o ‘over the top’. A gente traz todos os conteúdos disponíveis de vídeo na internet para a TV”, conclui Ripper, sobre a IPTV.

CÂMARA E SENADO ASSINARAM ACORDO PARA IMPLANTAÇÃO DA REDE LEGISLATIVA DE TV DIGITAL



Marco Maia, presidente da Câmara, e José Sarney, presidente do Senado, assinaram um acordo para que seja implantada a Rede Legislativa de TV Digital. O sinal digital da rede será aberto e gratuito e irá compartilhar as programações da TV Câmara, da TV Senado e das emissoras de assembleias legislativas e de câmaras municipais. 


O objetivo dessa parceria é a redução dos custos dos projetos de expansão das emissoras do Senado e da Câmara. Pelo acordo ficou estabelecido que, onde uma emissora instalar estação de transmissão de TV digital, cederá à outra uma faixa de programação.

Até 2013 as duas emissoras irão instalar estações em 11 capitais do país cada uma. A TV Câmara instalará estações em São Paulo (já em operação), Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Cuiabá, Vitória, Palmas, Goiânia e Recife. Por sua vez, a TV Senado colocará estações em Belém, São Luís, João Pessoa, Maceió, Campo Grande, Rio de Janeiro, Curitiba, Macapá, Manaus, Boa Vista e Teresina.